//Quarto poder e democracia em tempos de fake news

Quarto poder e democracia em tempos de fake news

Opinião pelo jornalista Matheus Dias

Antes mesmo de entrar para a faculdade de Jornalismo, eu já ouvia falar do tal “Quarto Poder” atribuído à imprensa. Isso me chamou atenção ainda em 2010, quando um professores de História do Ensino Médio disse em uma aula: “A Globo fez uma edição do Globo Repórter inteira falando mal de um ex-prefeito de São Paulo e a carreira política de dele desabou”.

Eu nem sabia direito sobre a trajetória do tal político, mas eu sabia da força da Globo. Afinal, era a emissora que eu mais assistia, a que aparentava ter mais qualidade em tudo o que transmitia: novelas, esportes, jornais. A fé na Globo era quase cega.

Porém, hoje em dia, é surreal imaginar que um telejornal da Globo teria a capacidade de acabar com a carreira política de alguém. Os discursos são outros e eles estão difusos entre milhões de vozes nas redes sociais.

Aliás, a tendência atual é a negação da imprensa, que está com baixíssima credibilidade. O senso comum nega a imprensa, nega o conhecimento científico, nega a educação, nega o serviço público, nega as instituições. De tão mal gerenciadas nos últimos anos, todas as coisas que mantém a nossa democracia “viva” estão com o nome sujo na praça.

Por um lado, isso é bom. Mostra que estamos tirando a concentração de poder de uma grande imprensa oligopolista e nos sentindo mais indignados com injustiças e crimes. Por outro lado, as pessoas que agora gozam de voz e espaço para falar parecem ser bastante irresponsáveis e descomprometidas com as informações que divulgam.

Destaca-se, por exemplo, o volume imenso de fake news divulgados às toneladas por grupos militantes de todo o espectro político. Essas informações desencontradas podem ser significativas para definir o rumo de eleições nacionais que, em 2018, elegem cinco cargos (Presidente, Governador, Senador, Deputados Federal e Estadual).

Em 1989, a Globo espalhou Fake News com a edição “de qualidade duvidosa” feita no tape do debate Lula x Collor. Em 2018, milhões divulgam fake news dos candidatos que não gostam. E não fazem isso por má fé (quase sempre), mas sim, por desinformação.

O Quarto Poder ainda está presente nas mãos da imprensa, embora, com menos força do que há vinte ou trinta anos. Cabe aos comunicadores profissionais se diferenciar do senso comum ao fazer do seu trabalho um espelho de ética, precisão e compromisso com o público.

Checagem de dados, respeito a fontes, respeito à legislação eleitoral e outros preceitos éticos da profissão são primordiais a uma democracia que precisa, urgentemente, se solidificar.

Redatora, Jornalista por formação e apaixonada por futebol. Apucaranense de berço e ponta-grossense de coração.