//Parece ficção, mas não é

Parece ficção, mas não é

Inovador. Independente. E baixo orçamento. Foi assim que o diretor Michael Almereyda trabalhou o filme Experimenter (no Brasil, O experimento de Milgram). Já conhecido do meio “indie” do cinema, Michael trouxe suas características únicas ao contar, levianamente, uma parte da história de Stanley Milgram, interpretado pelo ator Peter Sarsgaard.

Restrito a locais internos devido ao baixo orçamento, o diretor utilizou de estúdios fixos e técnicas de projeções para retratar alguns locais. Bem como construiu fielmente os experimentos, levando a imersão quase que por completa no universo e na cabeça do psicólogo. Além disso, a quebra da quarta parede é um elemento essencial no filme, que transforma o espectador em um “leitor” da pesquisa realizada por Milgram.

Correndo pelos seus 98 minutos, o longa metragem pincela os testes realizados nas décadas de 1950 e 1960. Em boa parte focado já nas considerações finais e na bomba explícita que Milgram lançou na sociedade, o filme ainda denota as consequências e reações da sociedade, assim como outros experimentos realizados naquela época.  Nesse contexto, o diretor utilizou-se de um elefante no meio do corredor da Universidade de Yale quando Stanley conversa com o espectador a respeito de suas convenções, referenciando-se à revelação do buraco negro preso em nós e do peso de seus experimentos para a sociedade.

Fluido e constante, ao som de composições de Bryan Senti, “O experimento de Milgram” capta a essência de um dos maiores psicólogos sociais e de sua contribuição para o entendimento da passividade humana à autoridades. O espectador facilmente prende-se a essa biografia cinematográfica que todos gostaríamos que fosse ficção.

 

João Pedro S. Teixeira

Graduando em Jornalismo e cinéfilo por paixão

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