//Mãe! das injustiças (talvez)

Mãe! das injustiças (talvez)

Por muito eu pensei em como começar a falar de Mother! (Mãe!) e talvez injustiça seja a primeira palavra que descreva a situação. Indicado para pior atriz, pior ator coadjuvante e pior diretor no Framboesa de Ouro 2018, Mother! rendeu boas discussões em grupos de amigos, entre críticos e entre algumas outras pessoas que resolveram assistir. Darren Aronofsky (diretor) concebeu singularidade em todos os tons na criação desse filme. Assim como outros longas marcantes de sua carreira (como Cisne Negro, Noé e Réquiem para um sonho), marcadas por produções envoltas de suspense psicológico, plot twist e simbolismo, Darren ousou na construção de elementos pesados e delicados.

O filme gira em torno da casa de um escritor (Javier Bardem) e sua esposa (Jennifer Lawrence) que trabalha com restaurações. Após um livro de muito sucesso, ele encontra-se em bloqueio criativo. Em certo dia, um médico desconhecido (Ed Harris) pede abrigo na casa e o dono o acolhe, contrariando a esposa. No decorrer dos dias, mais pessoas vão chegando e se apossando da casa.

Apesar do ritmo do filme não ser simétrico, e incomodar com a fluidez, a história se constrói em pequenos detalhes que ajudam o espectador a interpretar o filme. Mesmo com uma sinopse fraca, simples e pouco incentivadora, os elementos são bem adicionados e integrados. A trilha sonora é quase inexistente e possui o papel apenas de guiar as sensações das cenas. As atuações são temerárias, porém toleráveis. Jennifer Lawrence mantém a mesma faceta e andar de sempre, como se só soubesse gritar de uma única maneira.

Mother! é bom como história e simbolismo, encontra-se a injustiça de indicar um grande diretor para o Framboesa. Entretanto, todos seus outros membros falham por muitas vezes, intrigando a crítica e sua nota que permanece na média (6,7 no IMdb e 69% de aprovação no Rotten Tomatoes). Mother! é um filme que vale a pena pela sua crítica, comoção, emoção, desenvoltura, capacidade de nos fazer paralisar diante do seu final e criar o pensamento eterno de “o que eu realmente acabei de ver?”.

João Pedro S. Teixeira

Graduando em Jornalismo e cinéfilo por paixão.

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